Sexta-feira, 27.08.10

O bouquet

 

bouquet

A propósito de um post do blog da Margarida Rebelo Pinto com o título “Rosas no ar, corações em terra” (http://sol.sapo.pt/blogs/margaridarebelopinto/archive/2010/05/28/Rosas-no-ar_2C00_-cora_E700E300_o-em-terra.aspx) tive vontade de escrever sobre o mesmo tema, espero que ela me desculpe pela ousadia.

 

 

Os trinta anos aproximam-se e com eles as pressões sociais e familiares para ter uma vida dita normal e comum. Que quer isto dizer?

Pois é, isto quer dizer que depois de determinada idade, tendo terminado os estudos e tendo um trabalho, chegou o momento de casar e constituir família.

 

Na minha adolescência planeava uma vida bem sucedida no trabalho, uma vida onde ingredientes como Homem e Filhos, não estariam incluídos, apenas uma carreira de sucesso, uma vida desafogada e muitas viagens.

Com o passar do tempo, comecei a acreditar que valia a pena AMAR e passei a pensar que se calhar não seria tão má ideia partilhar a minha vida. O relógio biológico começou a bater-me à porta, mas essa conversa de filhos ficará para outras núpcias… (assunto delicado que ainda hoje me custa falar).

 

Bem, voltando ao que me fez escrever este post: O belo do ramo da noiva que rodopia no ar até cair nas mãos de uma solteira ou pelo menos desimpedida, que segundo reza a tradição será a próxima contemplada a ter uma festa de casamento (o que não lhe dizem é p preço que tem a pagar pela mesma: além de levar um homem para casa, que deveria ser para o resto da vida – sem dúvida muito tempo -  terá que ter sempre a casa impecável, roupa lavada e passada, comida na mesa a tempo e horas, e dizer sempre io io tipo mulinha. OK! Estava a brincar, eu acredito em relacionamentos felizes e em casamentos que duram uma vida!)

 

Tal como a Margarida, também eu fui ao belo do casamento, teria sido um casamento normalíssimo não fosse o casamento do meu priminho, e não fosse este casamento sinónimo de que sou a ultima solteira da família. Faço parte de uma família de homens (que eu adoro) além de ser a única mulher da minha geração (sim porque agora há mais duas pinpolhas lindas) sou também a mais nova, ou seja a menina mais mimada e protegida do mundo e arredores.

Muito feliz e contente lá fui eu para o dito casamento. Mas já sabia o massacre que me ia esperar:

- Então vieste sozinha? Não trouxeste namorado?

- Está a ficar tarde… de que estás à espera? Sabes que tens problemas para ter filhos… Quanto mais tarde pior…

- Não escolhas muito.

- Se calhar estás à espera da pessoa errada…

 

BLA BLA BLA

 

No meio disto tudo limitava-me a olhar para a minha mãe, para encontrar nos seus olhos o apoio que esperava e a paciência para não me saltar a tampa e gritar:

 

- PORRA METAM-SE NA VOSSA VIDA!

 

 

Não basta a pressão que eu sinto e coloco em cima de mim mesma?

É fantástico ser gira, nova (pelo menos por enquanto), inteligente, fazer o que gosto, ter uma casa só para mim, limpar e passar a ferro quando me dá na telha, acordar e dormir quando me apetece, sair para onde me dá vontade, simplesmente viver sem ter que dar cavaco a ninguém. No entanto e apesar de ser fantástico, é muito triste depois de um dia de trabalho (e ficar a fazer horas até esquecer para não ter que vir para casa) colocar a chave na porta, ter a casa escura, sem ninguém à nossa espera, nem que seja para reclamar, tomar um duche rápido e voltar a sair para comer alguma coisa na rua, porque não tenho vontade de comer sozinha… e chegar à rua de cara alegre e sempre bem disposta para ouvir elogios do género:

- Estás cada vez mais gira! (responder com um sorriso e pensar de que me serve?)

Para voltar a vir para casa (tarde de preferência) deitar naquela cama enorme, gelada e vazia, para acordar e nem pés na cozinha por, sair para o emprego, e voltar à mesma rotina.

É muito giro chegar ao fim-de-semana e vingar-me a dormir ou sair sem destino, porque pelo menos assim não sinto a falta de ter uma casa cheia de família, com direito a homem e crianças…

Não basta já tudo isto e ainda tenho que levar com os outros a fazerem-me perguntas do tipo:

- Quando é que fazes a tua vida?

 

Por acaso há alguma regra que diga que ter uma vida implica ter um companheiro(a) e filhos?

Após um dia de massacre, eis que chega a hora de a noiva reunir o mulherio dito livre, onde apenas entram solteiras, separadas, divorciadas ou viúvas e se vira de costas para as mesmas e brinca fingindo que vai atirar o ramo, e este ou se estatela no chão esfrangalhando-se ou é disputado por um bando de histéricas!

 

Como diz a minha mãe nada em mi é normal, e até no casamento dos outros eu tinha que ter algo diferente. Quando deveria chegar a dita hora do ramo da noiva voar pelo céu até cair nas mãos de alguém eis que os noivos me chamam e me oferecem o ramo. E eu a pensar, que aquilo não me estava a acontecer. Além de estar tudo a olhar para mim, eu já me sentir só o suficiente, não precisava que me lembrassem que estava sozinha.

 

Abraçaram-me e ofereceram-me o ramo, eu perguntei porquê e eles apenas responderam que eu era a Menina deles e que agora só faltava eu.

Fiquei feliz com o gesto, porque sei que sou realmente a Menina, sei que têm um carinho enorme por mim, e apenas me querem ver feliz, mas eu não preciso que me lembrem que estou sozinha.

 

bouquet

 

 

Escusado será dizer que essa noite foi dura, muito dura depois de ter chegado ao meu quarto e ter ficado comigo mesma.

 

 

O ramo branco a minha mãe levou para casa secou e guardou…

 

Eu guardo comigo a esperança de um dia encontrar alguém que me faça acreditar que vale a pena vestir-me de branco, entrar na igreja e fazer um juramento para toda a vida e que me faça sonhar com um passeio à beira mar daqui a muitos anos bem velhinhos de mão dada.

 

Porque apesar de tudo acredito em famílias felizes e casamentos duradouros… Uma vida pode ser pouco tempo um dia pode ser uma eternidade.

 

PS- Já passou quase um ano depois deste casamento, este casal lindo já tem um rebento um Gajo. Parabéns!

 

 

 

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Quinta-feira, 15.07.10

Amor ou doença?

Amor e ódio caminham de mãos dadas!

Amor que se transforma em posse,

Em querer tudo,

Em possuir o outro como se quer possuir a própria vida.

Este amor que se torna doentio

Porque não se sabe medir as distância do certo e do errado,

Da doença e da sanidade

Não se medem medos e inseguranças.

O medo de perder

O medo da exclusividade

O medo de não ser o centro do teu mundo (quando tu te transformaste o centro do meu universo).

Quando se deixa de gostar mais de nós

E se passa a gostar mais do outro

Amor e ódio caminham de mão dadas,

Pois os sentimentos misturam-se num turbilhão

E simplesmente perde-se a razão!

Será que vale a pena amar assim alguém?

Será isto realmente amar?

Quando amamos sem medos:

O sol brilha,

Os pássaros cantam e o céu é azul,

As flores e as árvores bailam numa melodia de encantar,

A lua ilumina os meus passos,

O mar sussurra-me ao ouvido versos doces

E cada estrela no céu são beijos teus!

Quando o medo e a insegurança me assaltam

A minha sombra incomoda-me e assusta-me,

O céu fecha-se,

Sem sol, sem lua

E cada estrela é um medo

Uma recordação

Um castigo.

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Quarta-feira, 26.05.10

Mudança

 

 

 

Passados uns dias em que andei como o tempo (revoltada) com uma telha do tamanho de um telhado com direito a águas-furtadas e após me ter recomposto (apenas recomposto, porque quando explodir, nem eu mesma quero estar por perto, pois o resultado será pior que essas nuvens de cinza que andam a dar cabo da cabeça ao pessoal) resolvi escrever sobre a MUDANÇA.

 

 

 

 

Este tema veio a propósito da minha necessidade iminente de mudança: mudar de casa, mudar de cidade, mudar de trabalho, mudar alguns hábitos, mudar o meu guarda-fatos, … (um dia destes dedico um post à lista de mudanças que tenho para fazer, para ver se me oriento). Mas continuando com as mudanças, estava eu este fim-de-semana (com esta telha enorme) no café e peguei na revista Notícias Magazine e folheei à procura do Fora de Série desta semana (não sei porquê, mas adoro esta parte da revista, talvez porque fale sempre de pessoas que em algum momento resolveram mudar de vida, podem até ser chamados de loucos, mas vivem muito felizes e o que os outros acham ou deixam de achar pouco lhes importa)!

 

 

Esta semana o Fora de Série escolhido foi O Zé dos Gatos de Setúbal (http://dn.sapo.pt/revistas/nm/interior.aspx?content_id=1575456) .

Mesmo sem ler a história do senhor fiquei bastante curiosa, devido ao nome ZÉ dos GATOS. Calculei que deveria de ser um senhor que vivia rodeado de bichanos, não perdi mais tempo e comecei a ler. Logo no primeiro parágrafo deparo-me com esta afirmação: “Chamam-me Zé dos Gatos porque eu gosto muito dos bichos, já tive muitos, muitos a morar comigo. Também me chamavam Zé Maluco e eu não me ralava com isso. Mas, cá para mim, eu sou é o Zé Esperto.” – Simplesmente adorei esta frase, fez-me lembrar de todos aqueles que a sociedade apelida de Malucos, mas que no fundo são felizes, porque vivem no seu mundo e que de uma forma ou de outra invejo, porque a eles nada os preocupa. E o Zé sabe disso, pois acaba por dizer que lá para ele é o Zé Esperto!

O Zé dos Gatos teve mil e uma profissões, não conseguia estar muito tempo no mesmo local e a conviver com as mesmas pessoas “Nunca fiquei muito tempo em nenhum ofício, perdia a paciência. Sempre gostei de conviver, de estar com as pessoas e, se ficava agarrado a um emprego, via sempre as mesmas caras, o que me dava para marear.” Ao ler esta frase lembrei-me de mim, do quanto estou fartinha do meu trabalho, da minha necessidade de fazer coisas diferentes mesmo que não seja na minha área, de experimentar coisas novas, de ver sítios novos e essencialmente de conhecer novas caras. Com 40 anos o Zé decidiu mudar de vida, e andar por ai, e diz que os gatos são a paixão da sua vida, pois são como ele independentes.

Sim de facto os gatos são uns seres fantásticos e encantadores, super independentes, donos do seu espaço, peritos em ignorar quando lhe convém, mas adoram marcar o seu território quando assim o entendem, quando querem procuram um mimo desfrutando ao máximo do mesmo, são vaidosos e muito elegantes. Após esta descrição dei-me conta mais uma vez das semelhanças que existem entre os felinos e as mulheres, pelo menos eu sou muito assim (mas adiante que, não é das semelhanças dos gatos e das mulheres que estou a querer falar).

A frase que prendeu a minha atenção e tem vindo a martelar-me a cabeça desde domingo foi: “Mas o meu amor ? já lhe disse? eram os gatos, que são menos complicados. As mulheres querem que a gente mude e então nós mudamos. E depois fartam-se de nós porque estamos mudados.”


Esta afirmação “matou-me”… não somos apenas nós mulheres que queremos que os homens mudem. Aliás eu tenho um lema de vida, que pretendo ser fiel por muito que me custe, tento sempre aceitar as pessoas como elas são, todos nós somos diferentes, temos formas de ser e estar diferentes, gostos diferentes, mas que desde bem pequeninos nos tentam impingir o que acham de certo e errado?

E o que é realmente certo e errado? É como a questão do tempo, é sempre muito relativo, porque até “um relógio parado está certo duas vezes ao dia”.

A MUDANÇA… quando falamos em mudança na nossa cabeça surge logo outra ideia associada (pelo menos para mim) MELHORAR, mas de facto nem sempre é assim. A certeza que tenho é que as mudanças devem partir de cada um de nós, pois já bem basta aquelas que temos que gramar sabe-se lá porquê.

 

Tentamos mudar os outros logo desde bem pequenos, por exemplo um bebé está acostumado a beber o leite materno e quando este termina espetamos-lhe com uma borracha na boca de onde sai um liquido que nada tem a ver com o leite da mãe, pois não é doce e a temperatura não tem nada a ver. Mas esta mudança é necessária e não há volta a dar.

Tentamos mudar alguém que se senta ao nosso lado, para desfrutar de um qualquer deleite gastronómico e mal pega na ementa disparamos sugestões, sem sequer serem solicitadas, quando estas não partem logo de quem nos atende, e se a criatura não aceita a sugestão, sai logo a bela da frase: “Não sabes o que perdes? Mas tens a certeza? Olha que se eu fosse a ti até provava…”

Dá vontade de dizer: “PORRA! Pára que já me estas a enervar!

 

Tentamos mudar alguém quando começamos a partilhar a vida a casa com alguém, e queremos pôr tudo como nós queremos. Porque eu estou acostumada a estender a roupa assim e não assado, porque as meias dobram-se desta maneira e não daquela, porque o detergente é este e mais nada, e a fantástica frase que todas as mulheres adoram: “PORQUE A MINHA MÃE FAZ ASSIM!” ou simplesmente “NÃO ESTÁ IGUAL AO QUE A MINHA MÃE FAZ!”

E a isto nós mulheres respondemos: “O MEU EX NUNCA ME FARIA UMA COISA DESTAS!”

E chega o descalabro que muito provavelmente irá dar origem a mais uma mudança.

 

Ainda não cheguei à fasquia dos 30 (ainda tenho mais dois anos), mas confesso que já me submeti a muitas mudanças, algumas por livre iniciativa, outras porque me foram impostas e outras ainda porque não tinha grande alternativa (pois ainda não me posso dar ao luxo de ser louca e fazer o que me dá na gana sem ter que me preocupar com o que é que os outros acham ou não), e que posso concluir com estas mudanças? Que aprendi muito, aprendi na pele o que todas as mudanças me trouxeram de bom e de mau… não me vou lamentar porque estão feitas… Mas posso sempre mudar alguma coisa… Uma coisa eu tenho a certeza o que mudar de futuro será por mim, para mim, porque eu quis e tive vontade. Quero mudar muita coisa, mas sem nunca deixar de ser eu sem perder a minha essência e o que me torna tão característica!

 

publicado por Sonhos Trocados às 03:24 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 19.05.10

Novo dia, Nova vida

Um destes dias um amigo deixou-me este video no Facebook que partilho com vocês.

 

publicado por Sonhos Trocados às 18:37 | link do post | comentar

Fechar a Porta

Eu bem sabia que não ia ser fácil escrever com regularidade aqui... sempre gostei muito de rabiscar numa folha de papel. Acho que com as teclas os pensamentos não me saem tão naturalmente.

 

Nos últimos tempos têm-se passado muitas novidades, muitos pensamentos, muitas alegrias, muitas desilusões.

 

 

Hoje vou escrever sobre "Fechar a Porta" e o quão difícil esse gesto tão simples se torna.

 

Passado tanto tempo ainda não "fechei a minha porta" ou melhor, fui colocada fora da vida de alguém, mas não me fecharam a porta.

Na altura pensei que isso seria bom, pois quer queiramos quer não fica sempre uma esperança, porque a porta esta ali entreaberta, e temos esperança que mais cedo ou mais tarde a porta se reabra e nos convidem a entrar.

Mas porra, não tenho vocação para cadelinha que fica no tapete à espera que o "dono" volte a abrir a porta e de vez em quando se lembre de fazer uma meiguice.

 

Lá depois de muita lamber as minhas feridas voltei a acreditar que podia refazer a minha vida, e que não queria mais entrar dentro daquela casa.

 

Chega!

 

Voltei a acreditar que poderia apaixonar-me novamente... pensamento ingénuo o meu.

Se eu ainda não me tinha refeito de uma queda já me estava a atirar de cabeça em outro precipício?

Isto deve tratar-se de uma tentativa de suicídio só pode...

O voltar a acreditar não foi mais do que o querer ser feliz, querer voltar a acreditar que poderia apaixonar-me novamente, mas esta tarefa só seria possível (sem sofrimento) se estivesse limpa desta droga que foi o sentimento que me corrompeu.

 

Estes dias cá tenho eu andado a lamber feridas... e a tentar recompor-me fechei a porta de vez.

Bati com ela para não voltar, não voltar da mesma forma.

Se um dia nos reencontrar-mos será alguém a bater na minha porta. Porque eu não fico mais na porta de ninguém.

 

Voltar a acreditar no amor, na paixão? É claro que voltarei a acreditar... sou mulher e uma eterna apaixonada... mas terei que estar recomposta. Sem feridas.

 

Esvaziei a casa, queimei as recordações ruis, levo comigo as boas, tranquei a porta e coloquei uma placa: VENDE-SE!

 

 

 

 

Procuro uma casa, que não seja apenas um T1 mas não sei se terá espaço para mais alguém!

publicado por Sonhos Trocados às 17:42 | link do post | comentar
Quinta-feira, 29.04.10

Não quero chorar mais...

“Aqueles que merecem as tuas lágrimas são os que nunca te fariam chorar.”


In "O dia em que te esqueci" de Margarida Rebelo Pinto

 

Um destes dias, sem ter muito para fazer, estava eu no mundo fantástico do Facebook, e resolvi clicar naqueles aplicativos que não servem para mais nada a não ser matar o tempo vazio.

 

Cliquei no aplicativo das frases da Margarida Rebelo Pinto e saiu-me na rifa esta frase citação.

Eu não diria melhor.... chega de chorar por quem não merece....

 

Nunca foi uma escritora que merecesse a minha atenção, apesar de gostar bastante de ler, no entanto um dia destes andava eu às compras num dos nossos hiperes e vi este livro que me chamou à atenção e resolvi levar para casa.

 

A determinada altura pensei que estaria a delirar, pois fiquei sem saber onde terminava a história do livro e começava a minha.

 

Por muito que eu queira ainda não cheguei ao dia em que te esqueci... mas quero e anseio muito chegar a esse dia!

 

Talvez nunca chegue a esquecer-te, mas o dia em que a tua existência para mim for algo comum para mim já me basta.

 

Não vou chorar, não vou chorar, não vou chorar....

 

E não posso acreditar que a pessoa que agora me está a aparecer é o meu grande amor, porque se não cairei no mesmo erro.

publicado por Sonhos Trocados às 22:09 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Domingo, 25.04.10

Compromisso

Hoje que se comemora os 36 anos da Revolução dos Cravos – a Liberdade do Povo Português venho deixar algo sobre o Compromisso.

 

Não pretendo falar da liberdade que foi alcançada à 36 anos atrás pelos nossos antepassados, quero antes falar da dificuldade que hoje temos em comprometer-nos com alguma coisa…

 

Ontem à tarde numa conversa que tive com uma amiga pelo MSN, além de matar saudades falamos sobre a dificuldade que há em estabelecer compromissos. Fiquei a reflectir sobre o assunto, e dei-me conta que é algo que realmente cada vez mais assusta as pessoas.

Antes de mais quero deixar a definição de Compromisso que encontrei na Winkipédia:

“Compromisso s. m.: é a forma, pública ou não, de voluntariamente se vincular ou assumir uma obrigação com alguém, com algum objecto ou causa. Há diversos tipos de compromissos: compromisso religioso, compromisso amoroso, compromisso de negócio, etc. Ter um compromisso, é marcar uma data, reunião, ter uma ligação, acordo firmado.”

 

Quando falo aqui em compromisso falo nos compromissos que estabelecemos com os outros simplesmente, de amor de amizade de partilha.

Apesar de ainda não ter chegado aos meus trinta anos acho que estou a ficar velha, pois na minha adolescência ainda se pedia namoro às pessoas. As gerações de hoje já não namoram, “curtem”, “andam” ou simplesmente têm “amizades coloridas”. E com o passar da idade há as ditas “relações abertas”.

De uma forma muito simples as pessoas querem ter alguém ao lado delas, mas só de vez em quando, tipo quando eu chego a uma loja e compro uns sapatos novos, não por precisar, mas por capricho simplesmente e levo para casa, no entanto acabam por ficar trancados na caixa. E lá de vez em quando eu me lembro dos benditos e calço-os e mostro a toda a gente.

Há uns meses atrás fui pedida em namoro, espantem-se, é verdade!

Eu também não queria acreditar!

Não cai para o chão, porque estava bem sentada. Mas fiquei sem saber o que responder. Primeiro porque achava que essas coisas já não se faziam, depois porque realmente fui apanhada de surpresa e terceiro porque ainda me ando a recompor do que começou por ser uma “amizade colorida” e acabou como um amor louco e desmedido.

Partilhei este acontecimento com a minha Mãe, uma senhora da década de 40, que apesar dos seus sessenta e muitos anos tem uma mentalidade espectacular e é simplesmente a minha melhor amiga. Querem saber qual a reacção dela?

(Com ar de brincadeira e sorrindo, pergunta em tom de gozo)

“- Mas as pessoas ainda se pedem em namoro? Hoje em dia as pessoas não “andam”, “curtem” ou têm “amizades coloridas”?”

Pois, hoje em dia já ninguém faz estas coisas…

Será que os miúdos ainda escrevem aqueles bilhetinhos “Queres namorar comigo? Sim ___  Não___

Não crio que isso aconteça, eles devem escrever sms e mails de tal forma encriptados, que qualquer adulto com mais de 25 anos não consegue decifrar (pelo menos eu não consigo decifrar nadinha…).

Qual histórias de príncipes e princesas, qual pedido de namoro, quanto mais de noivado ou casamento… esqueçam estas coisas. Pois hoje as pessoas saem, conhecem alguém, curtem e amanhã despedem-se muitas vezes sem sequer dizer bom dia, e se não por algum azar trocaram o número de telemóvel é melhor nem correr o risco de contactar.

Se as coisas se prolongam por mais uns dias, não é sinónimo de compromisso, é apenas sinal que as pessoas se “curtem”, e “tá-se bem” não venham com a história que namoram, porque estão redondamente enganados.

Há que haver liberdade entre os casais.

Tipo: hoje apetece-me estar contigo, sair para jantar, ir para a noite e vamos dormir em casa de quem? Na minha ou na tua?

E lá se vai cumprindo o ritual… mas se por acaso chegamos a casa da outra pessoa e encontramos algum objecto que nos é estranhos, perguntamos:

“- Isto não é meu? Quem esteve aqui?”

Há os hipócritas que inventam uma desculpa e há os sinceros que dizem:

“- Eu sempre te disse que queria uma “relação aberta”, por isso nada de stress.”

Agora pergunto eu?

O que é melhor, ficar na ignorância ou saber?

Pois não sei mesmo… depois de tudo o que já passei não vos sei realmente dizer como reagir a descompromissos.

Às vezes penso que o melhor mesmo é viver simplesmente sem compromissos, para não sofrer desilusões, surpresas ou perdas. No entanto a minha costela romântica apela para a minha crença em compromissos.

Tenho-me deparado com muitos casais que depois de terem um relacionamento de algum tempo e partilharem uma vida, muitas vezes com filhos, decidem que descomprometerem-se é o melhor a fazer. Até ai tudo bem, nada contra, se as pessoas não são felizes uma com a outra devem encontrar a felicidade. No entanto após a separação continuam a sair, tal como dois namorados e dizem que se entendem melhor assim, cada um com a sua vida, cada um com a sua casa, com tudo separado e sem compromissos.

E eu?

Eu sinceramente gostaria de me comprometer, compromisso, esse para a vida com tudo o que tenho direito.

Neste momento o compromisso que tenho é simplesmente ser FELIZ e VIVER!

 

 

 

publicado por Sonhos Trocados às 19:22 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Sexta-feira, 23.04.10

Estreia

 

Crianças Geopoliticas Assistindo ao Nascimento do Novo Homem - 1943

 

 

Bem isto é a minha estreia absoluta... quer dizer quase estreia...

 

Já por algumas vezes tinha tentado criar um Blog, mas ficava-me apenas pela criação, pois a manutenção ficava pelo caminho, talvez por estar demasiado habituada a escrever com a minha bela caneta preta e no meu papel (qualquer papelito serve, até um guardanapo). No entanto ultimamente tenho magicado a criação de um Blog onde eu pudesse escrever o que me apetecesse, sobre os temas que bem entender, simplesmente para partilhar com mundo e meio o que me vai na cabeça.

Isto surgiu mais, devido a um amigo (meio lunático e ambientalista) me ter “melgado” por saber que gosto de escrever e por estar com tempo disponível para tal. Segundo ele criar um Blog e partilhar alguns dos meus medos e ideias poderia ajudar-me a encontrar pessoas com vivencias semelhantes.

 

O segundo factor foi devido a uma conversa que tive com esse mesmo amigo sobre a teoria da paixão relacionada com os odores. No decorrer dessa conversa descobri um Blog do qual fiquei fã, o Blog das “Teorias da Costa” (http://teoriasdacosta.blogs.sapo.pt/) sobre este tema – “O cheiro - teorias do National Geographic aplicadas às relações humanas” http://teoriasdacosta.blogs.sapo.pt/16612.html.

Entretanto li mais posts desta Blogonauta da qual fiquei fã, e lá me deu a motivação que precisava para pertencer a este mundo dos Blogs.

 

Espero que este Blog sirva para alguma coisa, pelo menos para os seus seguidores se rirem um pouco com as baboseiras desta lunática.

Conto também com a vossa ajuda para “alimentar” este caderninho com temas do vosso interesse.

publicado por Sonhos Trocados às 17:26 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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